17/01/2022
A História Cultural: entre práticas e representações
Nota de Apresentação
Apresentar ao público português um
livro de Roger Chartier implica uma reflexão preliminar sobre as condições da
sua recepção.
Qual é o sentido das trocas entre as historiografias
francesa e portuguesa nas últimas décadas?
Estudos relativos à época moderna, destacam-se
três domínios essenciais:
- conjunto de trabalhos de história econômica
e social;
- estudos de história cultural, atentos
sobretudo aos registros literários;
- traduções de obras francesas —
promovidas por algumas editoras lisboetas.
Mais difícil será diagnosticar a situação
atual.
É importante considerar a banalização
de conceitos e de modelos explicativos da história econômica e social, reconhecer
o declínio do interesse francês pelos estudos de literatura portuguesa, analisar
o mercado das traduções.
A
obra propõe-nos uma reflexão sobre o paradigma historiográfico dos anos 50 e
60, construído em relação à economia e sociedade, mas que se tornou extensivo a
história das mentalidades.
A obra apresenta oito ensaios
publicados após 1982.
Neste contexto, ler a História Cultural:
entre práticas e representações implica uma segunda ordem de reflexões:
- Qual a distância entre o autor na sua
origem e neste seu ponto de chegada?
uma primeira distancia se encontra na
configuração de autores: Pierre Bourdieu, Michel de Certeau (pouco conhecidos
em língua portuguesa e ausência de publicação de suas obras mais importantes), Michel
Foucault, Gadamer, Geertz, Habermas, Jauss, Ricoeur.
Norbert Elias (mais divulgado, mas com
risco de leituras redutoras da sua obra.
Ao esquecer tais autores, corremos o
risco de ler Chartier fora do seu contexto.
Há também o risco de isolarmos uma
pequena parte da sua obra e a apresentamos em forma de livro.
Conjunto de áreas e de interesses
presentes na totalidade das publicações do autor.
- análise das instituições de ensino e
das sociabilidades intelectuais;
- conjunto de investigações parcelares
— sobre a marginalidade, os intelectuais frustrados, a festa ou a morte — e de
tentativas de síntese — da França urbana a vida privada;
- história da leitura, permanentemente confrontada
com a história do livro, da edição ou dos objetos tipográficos; interrogação da
teoria da recepção e da sociologia cultural
- análises da cultura política;
- reflexão sobre o ofício de
historiador.
Três aspectos a considerar em conjunto:
- percurso acadêmico;
- itinerário editorial;
Tensão fundamental que percorre a obra
de Chartier:
- dupla tendência para analisar a
realidade através das suas representações e para considerar as representações
como realidade de múltiplos sentidos;
- constatação da existência de práticas
sociais que não poderão ser reduzidas a representações, pois revestem uma lógica
autônoma.
Introdução: por uma sociologia histórica das práticas culturais
Livro
- oito ensaios publicados entre 1982 e 1986 - resposta à insatisfação sentida
frente a história cultural francesa dos anos 60 e 70
História
Cultural Francesa: dupla vertente de história das mentalidades e de história
serial, quantitativa
Compreensão
relacionada à situação da própria história, como disciplina
História:
-
institucionalmente dominante (peso numérico, importância do capital escolar, em
termos de currículo e de graus acadêmicos, primazia do estudo das conjunturas econômicas
e demográficas ou das estruturas sociais)
-
intelectualmente ameaçada (ciências sociais mais recentemente institucionalizadas
- linguística, sociologia, psicologia)
Desafio lançado à história pelas novas disciplinas: questionamento dos seus objetos – desviando a atenção das hierarquias para as relações, das posições para as representações, e suas certezas metodológicas – consideradas mal fundadas quando confrontadas com as novas exigências teóricas.
Novas
disciplinas: aplicam em áreas até então estranhas aos interesses da história econômica
e social normas de cientificidade e modelos de trabalho frequentemente decalcados
das ciências exatas, importam da área das disciplinas literárias novos princípios
de legitimidade, que desqualificavam a história enquanto disciplina empírica
Com
isso, as novas disciplinas tentavam converter a sua fragilidade institucional
em hegemonia intelectual e minavam o domínio da história nos campos universitário
e intelectual
Dupla
resposta dos historiadores: captação (emergência de novos objetos de pesquisa –
as atitudes perante a vida e a morte, as crenças e os comportamentos
religiosos, os sistemas de parentesco e as relações familiares, os rituais, as
formas de sociabilidade, as modalidades de funcionamento escolar etc.), o que
representava a constituição de novos territórios do historiador através da anexação
dos territórios dos outros. Daí, o retorno a uma das inspirações fundadoras dos
primeiros Annales dos anos 30, a saber, o estudo das utensilagens mentais que o
domínio de uma história dirigida antes demais para o social tinha em certa
medida relegado para segundo plano.
Sob
a designação de história das mentalidades ou de psicologia histórica, delimitava-se
um novo campo de pesquisa.
Mas
a estratégia de captação não punha de lado nada do que tinha estado na base do
sucesso da disciplina (tratamento serial de fontes massivas). A história das
mentalidades construiu-se aplicando a novos objetos os princípios de
inteligibilidade utilizados na história das economias e das sociedades (preferência
dada ao maior número, logo a investigação da cultura tida como popular; a confiança
nos números e na quantificação; o gosto pela longa duração; a primazia atribuída
a um tipo de divisão social que organizava imperativamente a classificação dos
fatos de mentalidade.
História
cultural - concilia novos domínios de investigação com a fidelidade aos postulados
da história social
Qualquer
reflexão sobre os desvios ou afrontamentos próprios de uma disciplina supõe
necessariamente a identificação da sua posição no campo universitário e a verificação
dos legados interiorizados e das posturas partilhadas que constituem o cerne da
sua especificidade.
Durante
um período demasiado longo, a história da história foi habitada por «essas
sequencias de conceitos saídos de inteligências desencarnadas», denunciadas por
Lucien Febvre como o pior defeito da antiga história das ideias
O
presente livro pretende ilustrar uma outra maneira de pensar as evoluções e oposições
intelectuais.
A
história cultural, tal como a entendemos, tem por principal objeto identificar
o modo como em diferentes lugares e momentos uma determinada realidade social é
construída, pensada, dada a ler.
Uma
tarefa deste tipo supõe vários caminhos. O primeiro diz respeito às classificações,
divisões e delimitações que organizam a apreensão do mundo social como categorias
fundamentais de percepção e de apreciação do real. Variáveis consoante às
classes sociais ou aos meios intelectuais, são produzidas pelas disposições estáveis
e partilhadas, próprias do grupo. São estes esquemas intelectuais
incorporados que criam as figuras graças as quais o presente pode adquirir sentido,
o outro tornar-se inteligível e o espaço ser decifrado.
As
representações do mundo social assim construídas, embora aspirem à
universalidade de um diagnóstico fundado na razão, são sempre determinadas
pelos interesses de grupo que as forjam. Daí, para cada caso, o necessário
relacionamento dos discursos proferidos com a posição de quem os utiliza.
As
percepções do social não são de forma alguma discursos neutros: produzem estratégias
e práticas (sociais, escolares, políticas) que tendem a impor uma autoridade à custa
de outros, por elas menosprezados, a legitimar um projeto reformador ou a justificar,
para os próprios indivíduos, as suas escolhas e condutas. Por isso esta investigação
sobre as representações supõe-nas como estando sempre colocadas num campo de concorrências
e de competições cujos desafios se enunciam em termos de poder e de dominação. As
lutas de representações têm tanta importância como as lutas econômicas para
compreender os mecanismos pelos quais um grupo impõe, ou tenta impor, a sua concepção
do mundo social, os valores que são os seus, e o seu domínio. Ocupar-se dos
conflitos de classificações ou de delimitações não é, portanto, afastar-se do social
– como julgou durante muito tempo uma história de vistas demasiado curtas —,
muito pelo contrário, consiste em localizar os pontos de afrontamento tanto
mais decisivos quanto menos imediatamente materiais.
Espera-se
acabar com os falsos debates desenvolvidos em torno da partilha entre a objetividade
das estruturas (que seria o terreno da história mais segura, aquela que,
manuseando documentos seriados, quantificáveis, reconstrói as sociedades tais
como eram na verdade) e a subjetividade das representações (a que estaria
ligada uma outra história, dirigida às ilusões de discursos distanciados do
real).
Tal
clivagem atravessou profundamente a história, opondo abordagens estruturalistas
(trabalhando as posições e relações dos diferentes grupos, muitas vezes
identificados com classes), e perspectivas fenomenológicas (estudo dos valores
e dos comportamentos de comunidades mais restritas, frequentemente consideradas
homogêneas).
Tentar ultrapassar essa polarização exige considerar os esquemas geradores das classificações e das percepções, próprios de cada grupo ou meio, como verdadeiras instituições sociais, incorporando sob a forma de categorias mentais e de representações coletivas as demarcações da própria organização social: «As primeiras categorias lógicas foram categorias sociais; as primeiras classes de coisas foram classes de homens em que essas coisas foram integradas".» O que leva a considerar estas representações como as matrizes de discursos e de práticas diferenciadas — «mesmo as representações coletivas mais elevadas só têm uma existência, isto é, só o são verdadeiramente a partir do momento em que comandam atos» que tem por objetivo a construção do mundo social, e como tal a definição contraditória das identidades — tanto a dos outros como a sua.
18/01/2022
Continuação
Retorno a Marcel Mauss e a Emile Durkheim - noção de «representação coletiva»
Pode pensar-se uma história
cultural do social que tome por objeto a compreensão das formas e dos motivos
– isto é, das representações do mundo social — que, à revelia dos atores
sociais, traduzem as suas posições e interesses objetivamente confrontados e
que, paralelamente, descrevem a sociedade tal como pensam que ela é, ou como
gostariam que fosse.
Reflexão sobre a noção de símbolo,
simbolização, forma simbólica x representação
Propomos que se tome o conceito de representação num sentido mais particular e historicamente mais determinado. A noção não é estranha às sociedades de Antigo Regime, pelo contrário, ocupa aí um lugar central.
Definições antigas do termo (dicionário de Furetière) manifestam a tensão entre duas famílias de sentidos:
- por um lado, a representação como dando a ver uma coisa ausente, o que supõe uma distinção radical entre aquilo que representa e aquilo que é representado:
- faz ver um objeto ausente através da sua substituição por uma «imagem» capaz de o reconstituir em memória e de o figurar tal como ele é: bonecos de cera, de madeira ou de couro, colocados por cima do féretro real durante os funerais dos soberanos franceses e ingleses e que mostravam o que já não era visível, isto é, a dignidade imortal perpetuada na pessoa mortal do rei;
- relação simbólica que consiste na «representação de um pouco de moral através das imagens ou das propriedades das coisas naturais: o leão é o símbolo do valor; a esfera, o da inconstância; o pelicano, o do amor paternal (uma relação compreensível é postulada entre o signo visível e o referente por ele significado — o que não quer dizer que seja necessariamente estável e unívoca);
Duas condições necessárias para
que uma relação desse tipo seja inteligível: o conhecimento do signo enquanto
signo, no seu distanciamento da coisa significada, e a existência de convenções
partilhadas que regulam a relação do signo com a coisa.
Importante: variabilidade e pluralidade
de compreensões (ou incompreensões) das representações do mundo social e natural,
propostas nas imagens e nos textos antigos.
- por outro, a representação como exibição de uma presença, como apresentação pública de algo ou de alguém
Distinção fundamental entre representação
e representado, entre signo e significado - pervertida pelas formas de
teatralização da vida social de Antigo Regime.
As formas de teatralização têm em vista fazer com que a
identidade do ser não seja outra coisa senão a aparência da representação
Pascal - funcionamento da «montra» que leva a crer que a aparência
vale pelo real (A indumentária do judiciário e do médico – exemplo - é-lhes necessário
lançar mão desses vãos instrumentos que impressionam a imaginação daqueles com
que tem de tratar; e é deste modo, que se dão ao respeito
A relação de representação é assim confundida pela ação da imaginação,
«essa parte dominante do homem, essa mestra do erro e da falsidade». Assim deturpada,
a representação transforma-se em máquina de fabrico de respeito e de submissão,
num instrumento que produz constrangimento interiorizado, necessário onde quer
que falte o possível recurso a uma violência imediata. Só os homens de guerra não
se mascaram dessa maneira, porque efetivamente afirmam-se pela força, enquanto
os outros o fazem por meio de dissimulações.
Sociedade antiga:
- posição «objetiva» de cada indivíduo como dependente do crédito
atribuído à representação que ele faz de si próprio por aqueles de quem espera
reconhecimento; quando
- compreensão das formas de dominação simbólica, como corolário
da ausência ou do apagamento da violência bruta.
É no processo de longa duração, de erradicação e de monopolização
da violência, que e necessário inscrever a importância crescente adquirida
pelas lutas de representações, onde o que está em jogo é a ordenação, logo a hierarquização
da própria estrutura social.
Trabalhando assim sobre as representações que os grupos
modelam deles próprios ou dos outros, a história cultural pode regressar
utilmente ao social, já que faz incidir a sua atenção sobre as estratégias que
determinam posições e relações e que atribuem a cada classe, grupo ou meio um
«ser-apreendido» constitutivo da sua identidade.
Noção de representação: pedra angular de uma abordagem a nível
da história cultural.
Mais do que o conceito de mentalidade, a noção de
representação articula três modalidades da relação com o mundo social:
- o trabalho de classificação e de delimitação que produz as
configurações intelectuais múltiplas, através das quais a realidade é
contraditoriamente construída pelos diferentes grupos;
- as práticas que visam fazer reconhecer uma identidade
social, exibir uma maneira própria de estar no mundo, significar simbolicamente
um estatuto e uma posição;
- as formas institucionalizadas e objetivadas, graças às
quais uns «representantes» (instâncias coletivas ou pessoas singulares) marcam
de forma visível e perpetuada a existência do grupo, da classe ou da comunidade.
Representações e leitores dos textos (ou das imagens) que dão
a ver e a pensar o real.
- interesse pelo processo por intermédio do qual é
historicamente produzido um sentido e diferenciadamente construída uma significação.
Tal tarefa cruza com a hermenêutica, quando se esforça por
compreender como é que um texto pode «aplicar-se» a situação do leitor.
No ponto de articulação entre o mundo do texto e o mundo do
sujeito coloca-se necessariamente uma teoria da leitura capaz de compreender a apropriação
dos discursos, isto e, a maneira como estes afetam o leitor e o conduzem a uma
nova norma de compreensão de si próprio e do mundo.
Paul Ricoeur - teoria da leitura – apoiada na fenomenologia
do ato de ler e na estética da recepção
Objetivo duplo: pensar a efetivação do texto na sua leitura
como a condição para que se revelem as suas possibilidades semânticas e se
opere o trabalho de prefiguração da experiência; compreender a apropriação do texto
como uma mediação necessária à constituição e à compreensão de si mesmo
Questão essencial - das modalidades 'da sua' recepção
Deve ser marcado um distanciamento em relação à perspectiva hermenêutica.
Compreender na sua historicidade as apropriações que se apoderam das configurações
textuais exige o rompimento com o conceito de sujeito universal e abstrato, tal
como o utilizam a fenomenologia e a estética da recepção.
Ambas o constroem quer a partir de uma invariância trans-histórica
da individualidade, considerada idêntica através dos tempos, quer pela projeção
no universal de uma singularidade que e a de um “eu” ou de um “nós” contemporâneo.
Ponto de discordância - descontinuidade fundamental das formações
sociais e culturais, logo a das categorias filosóficas, das economias psíquicas,
das formas de experiência. Pensar a individualidade
nas suas variações históricas equivale não só a romper com o conceito de
sujeito universal, mas também a inscrever num processo a longo prazo as mutações
das estruturas da personalidade.
Aplicada à teoria da leitura, esta perspectiva leva a
observar quão insatisfatórias são as abordagens que consideram o ato de ler
como uma relação transparente entre o «texto» — apresentado como uma abstração,
reduzido ao seu conteúdo semântico, como se existisse fora dos objetos que o
oferecem a decifração — e o «leitor» — também ele abstrato, como se as práticas
através das quais ele se apropria do texto não fossem histórica e socialmente variáveis.
Os textos não são depositados nos objetos que o suportam
como em receptáculos, e não se inscrevem no leitor como o fariam em cera mole.
Considerar a leitura como um ato concreto requer que qualquer
processo de construção de sentido, logo de interpretação, seja encarado como
estando situado no cruzamento entre leitores dotados de competências específicas
e textos cujo significado se encontra sempre dependente dos dispositivos
discursivos e formais — chamemos-lhes «tipográficos» no caso dos textos impressos
— que são os seus.
A produção do sentido, a «aplicação» do texto ao leitor como
uma relação móvel, diferenciada, dependente das variações, simultâneas ou
separadas, do próprio texto, da passagem à impressão que o dá a ler e da modalidade
da sua leitura (silenciosa ou oral, sacralizada ou laicizada, comunitária ou solitária,
pública ou privada, elementar ou virtuosa, popular ou letrada, etc.)
19/01/2022
CAPÍTULO I
História intelectual e história das mentalidades: uma dupla
reavaliação
História intelectual: dificuldades
- vocabulário, designações (especificidade nacional das designações
utilizadas e tamanha dificuldade em adaptá-las, ou mais simplesmente em
traduzi-las para uma outra língua e para outro contexto intelectual)
A historiografia americana conhece duas categorias: a intelectual
history e history of ideas. Mas nos diferentes países europeus, nenhuma destas
duas designações se impôs inteiramente: na Alemanha, a Geistesgeschichte*
continua a ser dominante, na Itália não aparece uma Storia intellettuale, na
Franga, a história das ideias praticamente não existe, nem como noção, nem como
disciplina e a história intelectual parece ter chegado demasiado tarde para
substituir as designações tradicionais (história da filosofia, história literária,
história da arte etc) história da arte, etc.), tendo permanecido sem força para
se opor a um novo vocabulário, forjado no essencial pelos historiadores dos
Annales: história das mentalidades, psicologia histórica, história social das
ideias, historia sociocultural, etc.
Por outro lado, o termo história das mentalidades é de difícil
exportação, parece ser pouco consistente noutras línguas que não o francês, o
que leva a não traduzir a expressão e a reconhecer assim a irredutível
especificidade de uma maneira nacional de pensar as questões.
Às certezas lexicais das outras histórias (econômica,
social, política), a história intelectual opõe, portanto, uma dupla incerteza
respeitante ao vocabulário que a designa: cada historiografia nacional possui a
sua própria conceptualidade e, em cada uma delas, entram em competição
diferentes noções, mal diferenciadas umas das outras.
Mas, por detrás dessas diferentes palavras haverá semelhanças
entre as coisas? Ou, noutros termos, o objeto que elas designam de maneiras tão
diversas será único e homogêneo? Nada parece menos certo.
Para além das designações e das definições importam a ou as
maneiras como, em dado momento, os historiadores delimitam esse território
imenso e indeciso e tratam as unidades de observação assim constituídas. Essas
diversas maneiras determinam cada uma o seu objeto, a sua utensiliarem
conceptual, a sua metodologia.
A incerteza e a dispersão do vocabulário de designação
remetem, sem sombra de dúvida, para essas lutas intradisciplinares ou interdisciplinares
São, pois, algumas das oposições que moldaram e dividiram de
maneira original a história intelectual francesa que pretendemos aqui expor.
13 a 15/01/2022
Artigo: O Mundo como Representação -
Roger Chartier
- existência de uma crise geral das Ciências Sociais (abandono dos paradigmas dominantes: marxismo e estruturalismo; rejeição das ideologias que haviam lhe garantindo o sucesso (adesão a um modelo de transformação radical, socialista, das sociedades ocidentais capitalistas e liberais);
- o diagnóstico não se aplica na íntegra à História, que ainda é vista como uma disciplina sadia e vigorosa, no entanto atravessada pela incerteza de alguns esgotamentos (alianças tradicionais - geografia, etnologia, sociologia - e obliteração - desaparecimento - das técnicas de tratamento e dos modos de inteligibilidade que davam unidade a seus objetos e encaminhamentos). Tal estado seria o reverso de sua vitalidade, multiplicando os campos de pesquisa, experiência e encontros.
- a proposição de objetos de estudos inteiramente estranhos a uma História dedicada por completo à exploração do econômico e do social;
- a proposição de normas de cientificidade e modos de trabalho imitados das Ciências Exatas.
- constituição de novos territórios do historiador por meio da anexação de territórios alheios (dos etnólogos, dos sociólogos, dos demógrafos);
- retorno a uma das inspirações fundadoras dos primeiros Annales dos anos 30: o estudo dos utensílios mentais, que o predomínio da história das sociedades havia relegado a um segundo plano. Sob o domínio das História das Mentalidades - ou por vezes, da psicologia histórica - delimitava-se um domínio de pesquisa distinto tanto da velha história das ideias quanto da das conjunturas e estruturas.
- a renúncia da História Total e do modelo braudeliano (3 tempos: longo - das estruturas -, médio - das conjunturas - , e curto - dos acontecimentos), os historiadores tentaram pensar os funcionamentos sociais fora de uma rígida hierarquia das práticas e das temporalidades (econômicas, sociais, políticas, culturais), sem que se fosse dada primazia para um conjunto particular de determinações (técnicas, econômicas e demográficas). Daí a tentativa de decifrar as sociedades de outro modo, penetrando nas relações e tensões que as constituem por um ponto de entrada particular (um acontecimento, um relato, uma rede de práticas), considerando não haver prática ou estrutura que não seja produzida pelas representações, contraditórias e em confronto, pelas quais os indivíduos e os grupos dão sentido ao mundo que é o deles.
- os historiadores afastaram-se do procedimento de inventário, que advém da escola da geografia humana. A cartografia das particularidades foi substituída pela pesquisa das regularidades (retorno à sociologia durkheimiana, preferindo as leis gerais.
- a história mostrou que é impossível qualificar os motivos, os objetos ou as práticas culturais em termos imediatamente sociológicos, considerando que sua distribuição e seus usos não se organizam necessariamente segundo divisões sociais prévias;
- as relações entre as obras ou as práticas e o mundo social são sensíveis à diversidade de clivagens que atravessam uma sociedade e à diversidade dos empregos de materiais ou de códigos partilhados.
12/01/2022
O Mundo como Representação - Roger Chartier
Vídeo: O Mundo como Representação - Roger Chartier
Professor Dr. Julierme Sebastião Morais Souza (UEG)
Anotações
Obras fundamentais: História Cultural: entre práticas e representações
À beira da falésia
Representações e práticas: relação com os livros
Como a circulação do impresso, na sociedade do Antigo Regime, mudou as formas de sociabilidade, autorizou novos pensamentos e transformou as relações de poder?
Representações e práticas de leitura do Antigo Regime
Não há uma crise generalizada nas Ciências Sociais
Há um deslocamento da história para a cultura
diferencia história social da cultura e história cultural do social, Chartier toma partido desta última
analisa o encontro e o distanciamento entre o mundo do texto e o mundo do leitor
conceitua representação
busca demonstrar que as representações auxiliam o sujeito na construção de identidades
apresenta o campo de estudo da História Cultural
analisa as formalidades das práticas de produção e recepção de cultura
busca compreender as relações de poder em meio às práticas e representações
chama a atenção para a luta de representações
Suposta crise da Ciências Sociais
A Ciências Sociais não estão em crise
O diálogo interdisciplinar, que resultou da importação de métodos e técnicas de pesquisa de outras ciências, contraria tal ideia
Ver relação dos historiadores com a Antropologia e com outras ciências sociais
As alterações na forma de fazer História não resultam de uma crise na Ciências Sociais
Os princípios de inteligibilidade que governavam a história foram abalados progressivamente ao longo do século XX
Isso não levou a História a um processo de crise, mas abriu espaço para uma pluralidade de abordagens e compreensões
Não há uma crise, há um reposicionamento
3 deslocamentos em forma de renúncias
- a História renuncia ao projeto de História Total e do modelo braudeliano (renuncia à proposta da totalidade do contexto histórico e da noção de 3 tempos de Braudel)
- abre-se mão da hierarquização das práticas sociais e temporalidades
- abre-se mão da primazia das determinações (sociais, econômicas, demográficas...)
- as práticas e estruturas seriam resultantes das representações
- há uma luta de representações
- os historiadores passam a compreender as práticas e estruturas a partir das representações
- a História renuncia a definição territorial dos objetos de pesquisa, ou seja deixa de definir o objeto de pesquisa em razão do território
- abre-se mão de se fazer um inventário determinado lugar
- abre-se mão de se fazer uma cartografia das particularidades de determinado lugar
- adere-se à pesquisa das regularidades
- tentativa de estabelecimento de leis gerais que influenciam práticas e representações sociais
- a historiografia (1970-1980) começa a resgatar o sentido dos Annales do início de Febvre e Bloch
- A História renuncia a primazia do social
- percebe-se que era impossível qualificar os motivos dos objetos ou as práticas culturais em termos imediatamente sociológicos, era preciso ir para os objetos primeiramente para depois dialogar com a sociologia
- percebe-se a dificuldade de se compreender as práticas e as estruturas sociais a partir de uma divisão social prévia
- não seria possível afirmar previamente que um determinado sujeito de um determinado lugar assumiria determinadas práticas, em razão das divisões sociais
- a opção pelo social leva à rotulação e à consequente qualificação das práticas sociais
1970-1980: passagem da História de um modelo braudeliano para uma nova história, com novos objetos
Essas renúncias levam a História para outro caminho
Abre-se espaço para pensar as práticas culturais e o mundo social
Reflexão sobre a pluralidade de clivagens que atravessam a sociedade
Há uma diversidade de empregos de materiais e códigos culturais
A sociedade é diversa, plural, entremeada de práticas e de representações
É precisa pensar em perspectiva mais ampla
As representações influenciam as práticas e isso leva às divisões
Essas 3 renúncias revelam o deslocamento da História e não a crise da História
Olhar para as práticas de leitura, permite compreender como os indivíduos praticam a leitura ou a escuta em um determinado tempo e lugar
Os modos e modelos de leitura variam de acordo com o tempo e o lugar
A compreensão do objeto cultural depende da forma como foi recebido
Exemplo: ler no livro, ler na tela...
Para Chartier, as formas do texto influencia a construção do sentido.
Ler um livro, ler na tela são formas diferentes de leitura, consequentemente isso gera diferente sentidos para a leitura
É preciso historicizar as práticas e as representações
Apropriação: deve ser pensada à luz da liberdade criadora dos indivíduos
Apropriação de bens simbólicos, de práticas e de representações acontecem a todo mundo e é influenciada pela historicidade dos indivíduos, do seu contexto social, de suas experiências culturais, da sua visão de mundo...
Exemplo:
Shakespeare
modo como Shakespeare é recebido, é apropriado
a apropriação de Shakespeare na América do séc. XIX é diferente da apropriação da Inglaterra shakespeariana
Inglaterra shakespeariana - público letrado, burguês
América do séc. XIX - público mais popular, ruidoso
Não há texto fora do suporte. O modo como o livro chega ao leitor é fundamental para a apropriação do leitor
2 conjuntos de dispositivos para entender o sentido do escrito que atinge o leitor:
estratégias provenientes da escrita e das intenções do autor
decisão do editor ou exigência da oficina de impressão
História Social da Cultura e História Cultural do Social
as representações geram práticas sociais e são geradas pelas práticas sociais
lutas de representações:
construções que geram identidades
uma representação se constrói contrária a outra
lutar contra o sistema é construir uma identidade
assumir o sistema é construir uma identidade também
a partir das lutas de representações é que surgem as identidades sociais
a vantagem da História Cultural é que, não partindo do social, estuda-se também o social
É possível compreender o mundo a partir das representações e das práticas
É possível o historiador compreender a documentação a partir das representações e das práticas
Passagem da História Social da Cultura para a História Cultural do Social
História & História Cultural -
Sandra Jatahy Pesavento
Vídeo: História & História Cultural - Sandra Jatahy Pesavento
Professor Dr. Julierme Sebastião Morais Souza (UEG)
Anotações
Representações: como, em determinado tempo e lugar, uma realidade social é construída, por meio de classificações, divisões, delimitações...
Representações: esquemas intelectuais, construídos mentalmente, que criam figuras para a realidade, que dotam o presente de sentidos, para grupos sociais determinados. Isso auxilia a construção de identidade.
Representações: tem a característica de tornar algo ausente, presente, e tornar algo presente, ausente. Por meio das representações, é possível esvaziar o significado de alguma coisa.
Representações: colocam-se no lugar do mundo e auxiliam os homens e os grupos sociais a perceberem a realidade social.
É impossível pensar em representações sem pensar em práticas sociais.
Exemplo:
A representação dos nazistas sobre os judeus: Os judeus eram ratos que poderiam passar doenças, por isso deveriam ser exterminados.
Essa representação gerava práticas de perseguição e extermínio dos judeus.
Essa representação gera um imaginário coletivo e é apropriado por alguns grupos sociais e podem aparecer nas artes (Exemplo da HQ Maus), em que os judeus são representados como ratos perseguidos pelos gatos nazistas.
Exemplo:
Salvador Dali: surrealismo (conteúdos que contrapõem a visão lógica da realidade)
Quadro "Sono"
Qual é relação da obra de Dali com a série "La casa de papel"?
Exemplo:
Manifesto Antropófago
contestação ao academicismo
representação do que é importante para a cultura brasileira
o Brasil era europeizado
os nativos não serviam como representante do homem brasileiro
***
Representações: geram práticas, apropriações, ressignificações
Há conflitos entre representações
***
Exemplo:
René Magritte (surrealista)
obra: ceci nest pas une pipe
a imagem do cachimbo não é um cachimbo
a palavra cachimbo não é o cachimbo
representação por substituição
(existe também a representação por exposição)
O texto histórico é uma representação do passado, não é o passado.
Várias representações possibilitam a construção do imaginário.
as representações são compartilhadas e levam à construção do imaginário.
Exemplo: O castelo dos pirineus (Magritte)
Exemplo de imaginário
Em determinados momentos históricos, os homens constroem representações coletivas que dotam aquilo que não tem sentido, de sentido. E quando dotam de sentido, isso passa a ser imaginário.
Idade Média
imaginário da igreja x imaginário do mercador
o tempo da igreja é o tempo da oração
o tempo do mercador é o tempo do trabalho
o imaginário é a capacidade dos homens de representarem o mundo de forma coletiva
Narrativa
O texto histórico é uma narrativa, não é semelhante à narrativa ficcional
o texto histórico só pode ser considerado científico se estiver ligado a uma metodologia e a um lugar institucional (universidade, academia)
o historiador tem um contrato com seu leitor, em que se propõe uma representação do passado sobre o tema tratado.
Sensibilidade
é o que brota do íntimo do indivíduo
toda representação gera uma sensibilidade
11/01/2022
História Cultural: um panorama teórico e historiográfico - José D'Assunção Barros
Vídeo: História Cultural: um panorama teórico e historiográfico - José D'Assunção Barros
Professor Dr. Julierme Sebastião Morais Souza (UEG)
História das mentalidades e História Cultural - Ronaldo Vainfas
Vídeo: História das mentalidades e História Cultural
Professor Dr. Julierme Sebastião Morais Souza (UEG)
História Cultural Clássica – 1800/1950
História Social da Arte – 1920/1930
História da Cultura Popular – 1960/1980
Nova História Cultural – 1980 (desdobrada da História das Mentalidades)
Grande tradição (Peter Burke)
Tradição clássica (Obras clássicas da História Cultural Clássica)
A cultura do Renascimento na Itália (Jacob Burckhardt)
A História cultural da Grécia (Jacob Burckhardt)
Outono na Idade Média (Johan Huizinga)
* A História Cultural tem uma tradição que remonta ao século XIX
** Alguns autores consideram que a História Cultural se inicia nos anos 1980
O século XIX ficou conhecido como século dos metódicos, dos positivistas. Contudo, no século XIX, houve outras formas de fazer história, como o exemplo das obras citadas anteriormente.
História da Arte
A ética protestante e o espírito do capitalismo (Max Weber)
Norbert Elias
Arte e ilusão (Ernst H. Gombrich)
3ª fase
A historiografia britânica vai olhar para a historiografia de uma forma diferente da qual o marxismo olhava
Edward Palmer Thompson
Vem de uma tradição marxista, mas não adere cegamente a ela
4ª fase
História Cultural desdobrada da História das Mentalidades
***
Vainfas
Faz a crítica à História das Mentalidades
a História das Mentalidades buscava uma unidade de ideias da sociedade em detrimento de uma pluralidade de um sistema de crenças e racionalidades
A História das Mentalidades não permite compreender a divisão existente no interior das sociedade, compreender as contradições sociais
A contradição é fundamental para o estudo da história
A História das Mentalidades abandona o indivíduo, considera-se a coletividade e abandonam-se as contradições
Para compreender a História das Mentalidades
- Contextualização da História das Mentalidades
- Conceitos da História das Mentalidades
- Antecessora da História Cultural
- A História das Mentalidades e a História Cultural fazem parte da historiografia brasileira
Escola dos Annales
As mentalidades se fizeram presente em toda a Escola dos Annales, ainda que com ênfases distintas.
1ª fase 1929/1947 - Lucien Febvre e Marc Bloch
- incorporam métodos das Ciências Sociais à pesquisa histórica
- substituem o estudo de acontecimentos por processos mais longos
- privilegiam a pluridisciplinariedade
- objeto fundamental: civilização e as mentalidades
- história problema
- abertura para documento não escritos
- maior crítica aos documentos históricos
- preocupação com a massa anônima
- história total
Diferença entre a História dos Annales e a História Marxista
- História dos Annales: focaliza mais as ideologias e as mentalidades, ainda que também pensem as questões econômicas
- História Marxista: focaliza o econômico
2ª fase (1947/1969) Braudel
Temporalidade
Tempo longo - estrutura social vigente
Tempo médio - conjunturas sociais, econômicas, sociais
Tempo curto - tempo do acontecimento histórico
(Os historiadores interpretam os acontecimentos e o transformam em fatos)
Percebe-se uma ênfase ao aspecto econômico
3ª fase (1969/2000 - período em que o texto foi escrito) - Jacques Le Goff
Retomada da ênfase nas mentalidades
os historiadores estavam saindo do porão e indo para o sótão
(crítica ao marxismo)
busca pelas mentalidades e não a ênfase ao aspecto econômico
crítica de Vainfas
A História das Mentalidades estava fazendo uma micro-história e abandonando a história total
É preciso ir além e buscar uma base mais sólida para a História das Mentalidades
Mentalidades estão correndo na França
New Left está correndo na Grã-Bretanha
Vainfas
Possíveis formas de compreender o campo teórico das mentalidades
- descolar as mentalidades da prática econômica
- compreender os fenômenos humanos ao longo do tempo
- história interdisciplinar
Novo plano conceitual para as mentalidades
- recorte social das mentalidades (tão amplo que dilui as diferenças, falta espaço para as contradições / patrício e plebeu na mesma mentalidade (problemático)
- inconsciente coletivo
- tempo das mentalidades (longa duração)
Crítica de Le Goff: o marxismo não teve êxito em passar da infraestrutura para a superestrutura
Para Vainfas, fica evidente a dificuldade de se conceituar "mentalidades"
Temáticas preferenciais das mentalidades:
- religiosidade
- sexualidade e suas representações
- sentimentos coletivos
- vida cotidiana
3 possibilidades de estudo das mentalidades
- herdeira dos Annales
- marxista
- mentalidade de alguma coisa (beijar...)
Passagem da História das Mentalidades à História Cultural
1980 - declínio das mentalidades
surgem outros campos de estudo, herdeiros das mentalidades
- história da vida privada
- micro-história italiana
- história cultural
a História Cultural se apresentava em 1980 como uma forma de corrigir as imperfeiçoes da História das Mentalidades
- rejeição ao conceito de mentalidades
- relação entre o mental e o social
- Nova História Cultural (recusa em separar o erudito do popular - circularidade cultural)
- conflitos sociais
- história plural
3 maneiras distintas de se apresentar a História Cultural
Carlo Ginzburg - circularidade cultural
Roger Chartier
Edward Palmer Tompson
Como isso chega ao Brasil
tardiamente - mentalidades 1980
precursores: Sérgio Buarque de Holanda / Gilberto Freire
10/01/2022
Introdução à Nova História Cultura
Vídeo: Introdução à Nova História Cultural
Professor Dr. Julierme Sebastião Morais Souza (UEG)
Anotações
Nova História Cultural – expressão difundida a partir dos anos 80
Panamense Lynn Hunt – historiadora – ficou conhecida por difundir a expressão "Nova História Cultural" (Obra: A Nova História Cultural, publicada em 1989 no Brasil)
Problemas – Lynn Hunt: colocava diversos autores no mesmo “balaio”
Livro: O que é a Nova História Cultural – Peter Burke
4 momentos
História Cultural Clássica – 1800/1950
História Social da Arte – 1930
História da Cultura Popular – 1960
Nova História Cultural – 1980 (desdobrada da História das
Mentalidades)
Historiografia Francesa
1970 – Nova História
Novas formas de pensar a história
Discussão de mentes – discussão das culturas
Burke
Dois caminhos para compreender a Nova História Cultural:
- herdeira e questionadora da História Cultural Clássica
- herdeira da História da Cultura Popular (1960) – de uma historiografia das mentalidades
Nova visão de cultura
1. Abandona-se a concepção marxista de que cultura é reflexo
da superestrutura
Relações econômicas na base e relações culturais no alto da pirâmide
Marxismo britânico (New Left): Passa-se a ver uma relação
entre a base e o ápice da pirâmide, a relação entre questões econômicas e culturais
A cultura já não é mais deslocada da economia, mas está
relacionada a ela
2. Cultura
não é mais a manifestação do espírito humano, das elites
Antes: cultura é o que vem da elite (cultura erudita é
cultura, o restante é folclore)
Cultura é tudo, não é apenas a manifestação da elite
Cultura não é só cultura de elite
3. Separação: cultura erudita, cultura popular, folclore
Cultura erudita e cultura popular se
Circularidade cultural
Ginzburg: estuda o popular para para chegar ao erudito (O queijo e os vermes)
Bakhtin: estuda o erudito para compreender o popular (Rabelais)
Passa-se da discussão da cultura como um dos elementos da
sociedade para se pensar a cultura em relação com a sociedade
Mudança significativa do conceito de cultura
Uma visão mais ligada à antropologia
A partir disso a Nova História Cultural toma fôlego para ser desenvolvida, sobretudo com base no par práticas e representações
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